Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Abóbora descontrol

Amo abóbora. Menina, perscoço, moranga, italiana, japonesa. Acho uma coisa linda, incrivelmente versátil e deliciosa, e totalmente mal aproveitada. Dá uma pena ver aquela abóbora triste passada na água com sal, cortada em quadradinhos... Tanto potencial desperdiçado! Aí resolvi procurar umas receitas mais interessantes, que provassem meu ponto de vista: abóbora é tudo. Vejam o que encontrei:
Para começar, pirei no programa do Jamie Oliver especial sobre abóboras. Ele fez carbonara com zucchini (que minha amiga Melissa copiou e ficou de raspar a panela) e um incrível muffin de abóbora doce. Procurando essas receitas acabei achando outras ótimas no site dele, como pizza, risoto e essa salada diferente. Com as flores, há ainda mais opções.
No meio da busca pela blogosfera encontrei cada coisa de cair o queixo. Esse cake de zucchini, hortelã e queijo do Kafka na Praia será feito com urgência. Do Kivevé, uma polenta paraguaia feita com abóbora, nunca tinha ouvido falar!
Para o calor, tartare de abóbora. Para o frio, sopa, cremosa como essa ou diferentona, como essa.
Para petiscar vai bem um pastel de carne-seca com abóbora. Hora do lanche é pedaço de pão de abóbora recheado ou torta com queijo. Para a sobremesa, um pedacinho de bolo de chocolate com zucchini, que empresta o nome pra um dos blogs de comida mais visitados. Ou torta com especiarias. E que tal uns sonhos de abóbora para a sobremesa, com direito a receita vinda de Portugal?
Tinha mais, muito mais. Mas acho que já embasei meu argumento, né? Vejo vocês na feira...

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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Estômago: tem que ter

Depois de muito, chegou. E fui no cinema ver. E gostei. Então, Estômago.
O roteiro é baseado no conto Presos pelo Estômago, do livro Pólvora, Gorgonzola e Alecrim, de Lusa Silvestre, sobre um nordestino comum, um Raimundo Nonato, que vai crescendo na vida por ter mão boa pra cozinha. No conto, a história pré-cadeia é só um resuminho, e o foco fica no tanto de prestígio que as habilidades culinárias do Raimundo rendem.
No filme, outra coisa. É ascenção e queda de Raimundo Nonato, tudoaomesmotempoagora: enquanto se vê como Raimundo vira Alecrim e cozinha um bocado de coisa boa pros companheiros de cela, a gente acompanha também o que aconteceu antes, a chegada do nordeste, como as receitas foram melhorando, como diabos aquele cozinheiro boa praça foi parar na cadeia.
Estômago é filme brasileiro, e como todo filme brasileiro que se preza tem palavrão e mulher pelada. Aí deram destaque pra personagem da Iria, que eu nem lembro se existe no conto nem nada.
O povo tem gostado muito. Quando estreou por aqui, no Festival do Rio 2007, o filme levou prêmios de melhor filme (no voto popular), melhor diretor, melhor ator e prêmio especial do júri. Quando estreou na Europa, no Festival Internacional de Rotterdam, levou o prêmio Lions Award.
Eu, se fosse você, ia logo lá assistir. Mas viso: no fim, fica a vontade de comer coxinha. E a dúvida: quem foi que achou que comida combina com trilha sonora de propaganda de sabonete?


Mais Estômago? Veja o trailer e confira o livro de receitas inspirado no filme (de graça e escrito por blogueiros, quer melhor?).

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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Na ponta da língua - junho

1. As receitas do Alecrim, do filme Estômago, todo mundo queria. Aí pediram também pra um monte de gente boa - Alessander do Cuecas, Chris do Casa da Chris, Faby do Rainhas, Fernanda do Dadivosa, Neide do Come-se e por aí vai - pra inventar comes e bebes inspirados no filme. E juntaram tudo. O resultado é um livro de receitas divertido e, maravilha!, grátis. É só olhar aí. E chegar no cinema daqui...

2. O chef Fergus Drennan resolveu provar que é possível comer sem a ajuda do supermercado. Pra isso, vai ficar até abril do ano que vem comendo o que encontrar pelos parques e florestas da Inglaterra. Para entrar no clima, confira suas receitas com alimentos selvagens e as dicas para tirar a pele de um animal encontrado morto na estrada.

3. Estômago chegou aos cinemas de Vitória!!!! Confira os horários.

4. Já comeu os biscoitos Milano da Pepperidge Farm? Pois não faz idéia do que tá perdendo. No Sam's Club tem, a R$ 15 o pacote. Vale cada centavo.

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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Se eles não contam, Todd descobre sozinho

Tá afim de um Big Mac ou dos onions rings do Burguer King mas não quer perder tempo na fila do fast-food? Pois saiba que dá pra preparar essas e outras receitas de marca registrada em casa, tudo graças ao Top Secret Recipes.
O site é recheado de receitas clones pesquisadas e testadas por Todd Wilbur, que tem 15 anos de experiência em duplicar receitas famosas. Cada semana uma nova fórmula é divulgada gratuitamente. As mais sem graça ficam lá, no arquivo, de graça. Já as melhores devem ser compradas pela taxa simbólica de 79 cents. Óbvio que vale a pena: além das receitas das redes de fast food tem fórmulas secretas de marcas conhecidas como Starbucks, Heinz, da fábrica de biscoitos das escoteiras americanas e até da Coca-Cola!
Quer testar? Confira aí abaixo uns vídeos em que Todd ensina a fazer Big Mac e twinkie, aquele bolinho recheado de creme.



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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Por falar em lugares feios que a gente gosta...

A Aline, do Moqueca com Pimenta, deixou um comentário no post sobre o Lidl revelando sua fraqueza: a Padaria Nova República, que não vê uma reforma desde a década de 80, é bagunçadíssima (confira aí na foto à esquerda, roubadíssima da Aline), mas é cheia de gostosuras e de gente viciada nelas. Ótima lembrança. Acrescento agora mesmo na minha lista de lugares que a gente adora ir, mas até tem um pouco de vergonha de ser visto lá.
A Nova República tem uma torta de pão incrível. Além de ser realmente bem feita, ela fez parte da minha infância; era servida em todo e qualquer aniversário da minha família. Corta o presunto mais fininho do mercado. E tem as melhores rabanadas da cidade, crocantes por fora e úmidas por dentro, sequinhas.

Depois que a Monte Líbano chegou a Jardim da Penha, muitos moradores do bairro abandonaram a Nova República, que fica no Bairro República. A nova padaria era mais bonita, com visual clean, e oferece coisas mais chiques, quiches, ciabatta e pão folha, docinhos refinados (veja na foto da direita, da Aline) salgados recheados com alho-poró, tábuas de degustação e atendentes que ficam gritando "olha o folhado de catupiry quentinho" de um jeito que não te permite resistir. Não é à toa que ela foi eleita pelo segundo ano consecutivo a melhor padaria do estado pela Veja Espírito Santo.
Mas convenhamos, a Monte Líbano não é como a Nova República. Lá você não pode enfiar a mão na pilha de torradas com manteiga recém-saídas do forno e roubar uma. Não pode pedir pra provar o mesmo bolo três vezes. As rabanadas de lá são molengas e pesadas, fritas num óleo frio demais. E, em especial, na Monte Líbano não tem torta de pão.
Por isso, viva a Nova República. Eu estarei com frequência nas filas gigantes que se formam nos dois únicos caixas, com as mãos cheias de pizzas, pedações de bolo de chocolate e salgadinhos fritos. Mas não conta pra ninguém.

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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Na ponta da língua - maio

1. Se sentindo incrivelmente generoso? Pois pode me dar um bom e velho flavour shaker de presente...

2. Mais uma do Jamie Oliver: você sabia que ele tem um canal no YouTube. Além de podcasts e pedaços de seus programas, tem alguns dos ótimos comerciais do Channel 4. Olha a pérola...

3. O queijo canastra está entre virar patrimônio cultural imaterial brasileiro ou desaparecer graças às leis de vigilância sanitária. O que será que vai dar? Confira reportagem na Folha do dia 15 de maio.

4. Brejetuba, maior produtor de café arábica do Espírito Santo e segundo maior do país, comemora o Dia Nacional do Café, 24 de maio, com uma xícara de 3,5 mil litros de café passados na hora. A idéia é entrar pro Guinness e, pelo jeito, não deixar brejetubense nenhum dormir por três semanas.

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Domingo, 18 de Maio de 2008

Saudades do Lidl. Mas não conta pra ninguém, tá?

Tenho muitas saudades do meu tempo em Barcelona, e meu subsconsciente me lembra disso a toda hora. Essa noite, por exemplo, eu sonhei que estava lá fazendo compras no Lidl! Gente doida que sonha com ir no supermercado em outro continente...
O Lidl é tipo aquele cara com quem você sairia se suas amigas nunca viessem a saber. É alemão, feio, bagunçado, às vezes sujo, mas é uma das melhores opções na Europa para compradores sem orçamento, de estudantes a velhinhas que saem de casa usando aqueles quimonos de flanela e puxam papo na fila do caixa. Também é o melhor destino para quem gosta de iogurte. Eles tem os melhores iogurtes da cidade, com sabores estranhos como pêssego com maracujá ou café, e tudo custa metade do preço dos Nestlè da vida.
Mas é preciso estar preparado para visitar esse super. Ele é chaotic evil com certeza, colocando leite, llonganissa, vinagre e sopa de pacotinho na mesma prateleira. Os produtos vem da longínqua e misteriosa Europa Oriental, e a maioria dos rótulos tem palavras com cinco consoantes e só uma vogal. Os vegetais frescos raramente são tão frescos assim e as coisas costumam estragar na geladeira semanas antes de vencer o prazo de validade.
Mas é tão barato que a gente finge que nem repara nisso tudo. E tem sempre aqueles iogurtes...

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